Critério de aceite é a condição objetiva e verificável que as duas partes combinam ANTES da execução para declarar uma entrega pronta. Sem critérios de aceite, “pronto” vira opinião — e a discussão sobre qualidade acontece depois do pagamento, no pior momento possível para quem contratou.
O que torna um critério verificável
Um critério de aceite útil tem três propriedades: descreve um comportamento observável (não uma intenção), pode ser testado por alguém que não escreveu o código, e tem resposta binária — passou ou não passou. “O sistema deve ser rápido” não é critério; “a listagem de pedidos carrega em até 2 segundos com 10 mil registros” é.
Exemplos práticos por tipo de exigência
- Funcional: “o usuário recupera a senha por e-mail e o link expira em 24 horas”.
- Desempenho: “o checkout completa em até 3 segundos na 4G, medido no relatório de performance combinado”.
- Compatibilidade: “funciona nos dois últimos anos de versões de Chrome, Safari e Android”.
- Qualidade de código: “código entregue com testes automatizados das regras de negócio e instruções de execução”.
- Operação: “o deploy é reproduzível a partir da documentação, por pessoa que não participou do projeto”.
Como o aceite entra no contrato
Critérios de aceite pertencem à proposta e ao contrato, vinculados aos marcos de pagamento: cada marco é pago quando seus critérios passam. Defina também o processo — quem testa, em quantos dias, e o que acontece com itens reprovados (correção sem custo dentro do escopo). Aceite por decurso de prazo (“considera-se aceito se não houver manifestação em X dias”) é comum e razoável; apenas dimensione o prazo para a sua capacidade real de testar.
Exigir critérios de aceite não é desconfiança — é o que permite ao bom fornecedor provar que entregou e ao contratante pagar sem receio. Quem resiste a definir a régua está pedindo para ser o único juiz do próprio trabalho.
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